Quando caminho percursos de vida
Numa infinda estrada solitária,
Ás vezes sinto medo,
Como tu sentes.
Quantas vezes
Anoiteceu subitamente
Em dias soalheirentos
E fiquei cega, sem caminho,
Companheira de uma angústia inseparável,
Como a ti já aconteceu.
Às vezes estremeço assustada
Pela violência das gentes,
Das guerras anunciadas,
E choro lágrimas que doem,
Como doem a ti.
E vejo crianças de ventre inchado,
E ambulâncias percorrendo avenidas,
E tanques de guerra disparando esfomeados
E fico muda de revolta incontida,
Como tu também ficas.
A nossa única diferença,
Talvez seja,
Que apesar do medo,
Da angústia, das lágrimas, da revolta,
Eu sinta
Que ao dobrar os meus joelhos
E olhar a doçura de um Deus que ama,
Eu sinta
Que Ele me pega ao colo
E caminha comigo em Seus braços
Sobre a estrada solitária,
O súbito anoitecer,
A violência das gentes
Das guerras anunciadas,
E me sussurre
Que um dia Ele voltará
E n’Ele tudo,
Absolutamente tudo,
Mesmo tu e eu,
Seremos diferentes.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
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