quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

QUANDO CAMINHO PERCURSOS DE VIDA

Quando caminho percursos de vida
Numa infinda estrada solitária,
Ás vezes sinto medo,
Como tu sentes.

Quantas vezes
Anoiteceu subitamente
Em dias soalheirentos
E fiquei cega, sem caminho,
Companheira de uma angústia inseparável,
Como a ti já aconteceu.

Às vezes estremeço assustada
Pela violência das gentes,
Das guerras anunciadas,
E choro lágrimas que doem,
Como doem a ti.

E vejo crianças de ventre inchado,
E ambulâncias percorrendo avenidas,
E tanques de guerra disparando esfomeados
E fico muda de revolta incontida,
Como tu também ficas.

A nossa única diferença,
Talvez seja,
Que apesar do medo,
Da angústia, das lágrimas, da revolta,
Eu sinta
Que ao dobrar os meus joelhos
E olhar a doçura de um Deus que ama,
Eu sinta
Que Ele me pega ao colo
E caminha comigo em Seus braços
Sobre a estrada solitária,
O súbito anoitecer,
A violência das gentes
Das guerras anunciadas,
E me sussurre
Que um dia Ele voltará
E n’Ele tudo,
Absolutamente tudo,
Mesmo tu e eu,
Seremos diferentes.

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