Percorro a solidão da estrada.
Rodeiam-me arvores e arbustos
Pincelados em tons de imensos verdes,
E posso escutar o chilrear
Dos pássaros em voos livres.
No horizonte esfumam-se
Pedaços de cimento,
E uma ou outra vez
Passam carros fugidios
Perturbando o silêncio
Que me acompanha.
O sol aquece-me num abraço amigo,
Olho ao redor:
A estrada vazia,
As árvores,
Os ninhos,
O esvoaçar dos passarinhos,
O vermelho da papoila,
O amarelo da flor do campo que sorri,
O bambolear das frágeis canas
Coroadas de pequenas espigas,
O fugir apressado de uma lagartixa,
O trabalho incessante de uma formiguinha,
E pergunto:
Como é possível
Caminhar pela vida,
Mesmo em passos largos e apressados,
E não ver,
Tão claro, simples e imenso,
o Amor de Deus por nós?
domingo, 10 de fevereiro de 2008
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