domingo, 10 de fevereiro de 2008

COMUNHÃO

Na serenidade
de um lânguido entardecer
procuro imaginar-me
um em Ti.

Se fossem Tuas as minhas mãos
Se em Ti respirasse
minha vida de ninguém,
invadir-me-ia
a espontaneidade do amor
a simplicidade de ser
a confiança livre da esperança
a inocência de um súbito sorrir.

Tudo seria tão diferente!

E
que faço eu?
Sinto apenas o último carinho
dum sol que adormece?
a liberdade desenhada das gaivotas?
a mornidão imensa do mar?

Ah, se eu fosse um em Ti,
não seria mais o meu olhar
nem as minhas mãos,
mas apenas
Tu em mim!

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